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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A saga




Depois da saga da chegada do visto, com direito a lutas nos Correios, eis que conto a saga da viagem. Na minha cabeça, os aviões da TAP continuavam com telinhas touchscreen, filminhos para escolher, séries, joguinhos. E eis que me deparo com um banco apertado, uma televisão com canais bem vagabundinhos e uma companhia espaçosa do meu lado.


Os filmes que estavam passando ultrapassavam as barreiras geográficas. Tinha filme espanhol, brasileiro, americano, francês... Resolvi assistir Menino da Porteira por não ter tido a coragem de pagar uma entrada de cinema para assistir o Daniel atuando e porque com a música me sinto mais perto do meu pai e do meu avô. O filme é bem musical, lembrei muito do senhor, papito. Na segunda vez, coloquei ele para passar e finalmente consegui dormir. O problema foi o garoto do lado, que não dormia e era extremamente espaçoso. Fiquei num cantinho, encostei a cabeça na janela, peguei o travesseirinho que ganhei da Raquel e dormi por umas duas horas.


Depois passou um outro filme, que me fez lembrar da minha amiga Olívia. Tenho certeza que era Star Trek, mas ele me fez dormir por duas horinhas também. Descobri que o menino do meu lado estava indo para Coimbra pela UnB, estudava Economia aqui, nunca tinha ido pra Europa e não tinha idéia do que faria aqui.


Quando cheguei em Lisboa, tive que enfrentar a fila da imigração. Meu voo para Genebra estava marcado para 08:50, só que eu tinha lido apenas a hora do embarque que era 08:10. Já era umas 7:15 e eu estava no fim da fila. Perguntei pro carinha que alegremente me respondeu que eles me chamariam. Tinham quatro pessoas para receberem os retirantes brasileiros. Uma era bem simpática e como me falaram mal da fama dos portugueses, torci para que fosse ela. E foi. Do meu lado tinha um cara muito suspeito que tinha alguma coisa com uma menina tipicamente daqui: loira, branca, sem sal e dos olhos claros. Ela já tinha passado e o fiscal implicou no que ele estava querendo fazer em Amsterdan. Ele não tinha emprego e dizia que morava lá. Eu passei e o rapaz suspeito continuou lá.


O cenário é esse: uma garota brasileira cansada, sem internet, sem telefone e sentada por uma hora esperando o guichê do portão abrir. A salvação para mandar notícias foi uma internet de moedinha que achei. Acho que devo ter escrito tudo errado porque na hora que eu estava lá, já estavam chamando para o embarque.


Mais uma vez, fui do lado de uma brasileira com uma história um pouco mais interessante que a do garoto. Mãezinha, essa vai pra senhora. Ela disse que veio pra Suíça como eu estava indo, fazer algum curso na Universidade. Ela começou fazendo francês, só que ao contrário de mim, ela passou um ano. Quando voltou, disse que sentiu muita falta e a mãe ficou estimulando que ela voltasse. E assim ela o fez, passou mais três anos estudando alemão, terminou a faculdade que deixou incompleta em Salvador, encontrou um marido e pá! Disse que não volta nunca mais.


Ulisses, Elaine. Eu acabo descobrindo que muitos personagens ainda farão parte da minha história.


Na chegada em Genebra, eu ainda não tinha certeza absoluta que a Jú estaria me esperando. Já tinha feito todo o trajeto para o local aonde eu teria de ir. Na apreensão pela mala não ter estourado, fiquei torcendo para que nada fosse extraviado e que eu pegasse minhas coisinhas. O alívio que senti quando vi as duas bagagens na esteira juntinhas é inenarrável. A maior surpresa foi quando saí e vi uma mulher tirando uma foto de dentro do setor de desembarque. E eu não estava entendendo porque eu estava no meio e ela continuava tirando. Quando olhei, era a Jú! A alegria que senti foi imediata. A certeza de ter um anjo da guarda em uma aventura desconhecida.


PS: Não reparem no olhar de cansado da foto e a esculhambação do look. Depois de mais de 11 horas dentro de um avião, com fome, carregand 45 quilos e cansada, nem se eu soubesse que ela ia tirar a foto, ela teria saído melhor.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Finalmente!

Por mais clichê que seja ter um blog de viagem, quando você tem 24 anos e ainda mora com seus pais e vai passar mais de cinco dias fora de casa; mandar notícias é imprescindível. O mundo é vasto de tentações, é compreensível que eles tenham esse comportamento. Brincadeira, paizinhos.

Fazer uma viagem com cinco meses de experiência fora é realizar um sonho. Valeu ter estudado e mantido minhas notas altas durante a faculdade, valeu quatro anos de planos, valeu os e-mails para mil lugares do mundo, valeu as tentativas, valeu os erros e acertos. O sonho finalmente está sendo realizado, no gerúndio mesmo pois a caminhada ainda é longa. Os destinos variaram durante todo o percurso: Inglaterra, Portugal, Canadá e até Espanha com o conhecimento básico de portunhol, nível 2.

Finalmente, graças a uma amiga que se apresentou como a melhor pessoa do mundo para me ajudar. Foi graças à ela que consegui realizar mais um plano da minha vida. Jú, você sabe como sou eternamente grata a tudo, tudo, tudo que você fez por mim. E ó que não foi pouco. O café ainda está de pé e o sentimento de agradecimento eterno. Você foi e sempre será MUITO pra mim, amiga.

E é nesse sentimento fofo que finalizo o primeiro post desse lugar que tenho certeza que gravará muitas experiências boas, muitos aprendizados, muita saudade, muitas fotos bacanas. E que venha a Europa!